JOGOS: Nintendo Switch Sports Resort | Análise

3.11.26

Já mencionei em artigos anteriores, mas tenho que voltar a escrever que a Nintendo tem uma capacidade muito particular para transformar experiências simples em momentos de diversão capazes de conquistar jogadores de diferentes idades e gerações, sendo que mais uma vez voltou-o a fazer com Nintendo Switch Sports Resort, desta em exclusivo na Nintendo Switch 2.

Em vez de apostar numa revolução completa, a Nintendo optou por aperfeiçoar os elementos que melhor funcionaram no passado, acrescentando novas modalidades, diferentes formas de interação com os Joy-Con 2 procurando dar uma maior profundidade à experiência.

INTRODUÇÃO

A ilha de Wuhu, um cenário que muitos jogadores recordarão com especial carinho, agora é muito mais do que um simples espaço onde decorrem as competições, sendo possível explorar diferentes zonas, descobrir locais interessantes e participar em atividades complementares. Com doze modalidades disponíveis, entre desportos clássicos e novas propostas, Nintendo Switch Sports Resort inclui atividades como skate, motonáutica e pilotagem de aviões demonstrando abertura em explorar novas possibilidades de controlo, tirando partido das características específicas da nova consola e dos respetivos comandos.

Porém, a grande questão passa por perceber se estas novidades são suficientes para justificar o regresso a uma fórmula já bastante conhecida e não ficar conotado como “mais do mesmo”. Na minha opinião, penso que a Nintendo (talvez melhor do que ninguém) tem a capacidade de proporcionar diversão imediata, criar competição saudável e transformar uma simples sessão de videojogos num momento de convívio e Nintendo Switch Sports Resort é claramente um desses títulos.

 

NARRATIVA

À semelhança dos restantes títulos da série, Nintendo Switch Sports Resort não apresenta propriamente uma narrativa tradicional, com personagens principais, diálogos elaborados ou uma história estruturada que conduza o jogador através de acontecimentos específicos. A ilha de Wuhu é um destino turístico fictício, repleto de instalações desportivas, paisagens tropicais e diferentes espaços destinados à prática de atividades recreativas. O jogador pode criar ou escolher a sua personagem, recorrendo aos conhecidos Mii ou aos mais modernos Sportsmates e começar a descobrir tudo o que a ilha tem para oferecer.

Embora a ausência de uma componente narrativa propriamente dita possa ser vista como uma limitação por alguns jogadores, eventualmente aqueles menos conectados com a série, considero que esta opção está perfeitamente enquadrada na sua identidade, sendo o mais importante proporcionar um ambiente agradável, acessível e suficientemente interessante para incentivar a exploração e a competição.

A ilha de Wuhu é um destino turístico fictício, repleto de instalações desportivas...

JOGABILIDADE

A jogabilidade é, por razões mais do que óbvias, o ponto fulcral de Nintendo Switch Sports Resort e a decisão da Nintendo em recuperar a utilização dos controlos por movimento, uma característica que esteve sempre associada à série, revelou-se acertada, conseguindo agora tirar maior partido das capacidades dos Joy-Con 2 para oferecer experiências mais variadas e intuitivas.

O título proporciona doze modalidades distintas, boxe, ténis de mesa, tiro com arco, ténis, voleibol, bowling, basquetebol, golfe, luta de polegares, skate, motonáutica e pilotagem de aviões, sendo algumas modalidades clássicas e já presentes em edições anteriores, porém outras são uma estreia em absoluto na série.

Por exemplo, no tiro com arco, o jogador tem a necessidade de utilizar os comandos para simular o movimento de puxar a corda, apontar e disparar, mas estar igualmente atento às condições climatéricas, nomeadamente ao vento, uma vez que pode influenciar a precisão, acrescentando uma componente estratégica e tornando o desafio mais interessante. O ténis de mesa, já é uma modalidade que exige alguma prática, mas que recompensa os jogadores que conseguem dominar os seus controlos. O skate é outra das novidades que merece atenção, já que recorre ao modo rato dos Joy-Con 2 para simular os movimentos necessários à deslocação e execução de manobra, demonstrando a preocupação da Nintendo em oferecer diferentes possibilidades de controlo.

A motonáutica e a pilotagem de aviões são igualmente novidades importantes, porque utilizamos os comandos como se fossem os guiadores de uma mota de água, controlando a aceleração e a direção ao passo que na segunda, inclinamos os comandos para orientar o avião e percorrer os diferentes espaços da ilha, sendo atividades que ajudam a quebrar a rotina das competições tradicionais e que dão maior personalidade à experiência.

Mas a luta de polegares é uma das surpresas mais inesperadas e inusitadas! À primeira vista, pode parecer uma atividade demasiado simples, mas rapidamente conseguimos perceber que existe uma componente estratégica na forma como utilizamos os movimentos para tentar imobilizar o adversário e é, sem dúvidas, uma daquelas ideias tipicamente com a chancela Nintendo que, apesar da sua simplicidade, consegue gerar momentos bastante divertidos.

Naturalmente, nem todas as modalidades apresentam o mesmo nível de precisão, isto porque algumas atividades beneficiam bastante dos controlos por movimento, enquanto outras podem revelar pequenas inconsistências, especialmente quando exigem movimentos mais rápidos ou maior rigor. Isso foi facilmente percetível, por exemplo, no ténis, que continua a apresentar situações em que a direção das pancadas nem sempre corresponde exatamente à intenção do jogador. Não obstante, a jogabilidade no geral é bastante competente e demonstra uma evolução relativamente ao anterior Nintendo Switch Sports, apresentando a maior variedade de atividades e a utilização mais criativa dos Joy-Con 2, tornando a experiência mais completa e interessante.

Mas a luta de polegares é uma das surpresas mais inesperadas e inusitadas!

LONGEVIDADE

Mais uma vez, se compararmos com o seu antecessor, Nintendo Switch Sports Resort apresenta uma clara evolução no capítulo da longevidade, isto porque ao contrário de algumas experiências anteriores da série, que dependiam bastante da presença de outros jogadores para manter o interesse, este novo capítulo procura oferecer motivos mais consistentes para continuar a jogar mesmo quando estamos sozinhos. É aí que surge o novo modo Island Crown introduzindo uma progressão competitiva a solo, enfrentando adversários cada vez mais exigentes em cada modalidade, culminando num confronto com o respetivo campeão da ilha.

A componente multijogador é sempre um garante de maior longevidade e, como todos nós sabemos, jogar localmente com familiares ou amigos proporciona momentos de enorme descontração, sobretudo quando alternamos entre modalidades diferentes e procuramos descobrir quem consegue alcançar os melhores resultados, contudo a possibilidade de competir online também prolonga a experiência, permitindo enfrentar jogadores de outras partes do mundo.

Depois existem outras situações que prolongam a experiência, mas que só são valorosas para os fãs extremos da saga, como os modos Sightseeing Tour, que proporcionam desafios de exploração com objetivos definidos e um limite de tempo, ou até mesmo a exploração livre de Wuhu Island através das atividades de motonáutica, pilotagem de aviões e skate, onde podemos participar em diferentes percursos turísticos, procurar locais específicos e descobrir elementos colecionáveis espalhados pelo cenário. Por fim, a personalização das personagens também recebeu melhorias importantes, pois agora é possível granjear pontos Spocco mesmo não jogando online, podendo ser utilizados para desbloquear roupas, acessórios e outros elementos cosméticos.

...a exploração livre de Wuhu Island através das atividades de motonáutica, pilotagem de aviões e skate...

GRAFISMO E SONOPLASTIA

Nintendo Switch Sports Resort beneficia das maiores capacidades de hardware da Nintendo Switch 2, apresentando um upgrade evidente em relação ao anterior, disponibilizando cenários mais definidos e refinados, personagens mais detalhadas e uma apresentação globalmente mais cuidada. A direção artística mantém a identidade colorida, descontraída e familiar que sempre caracterizou a série, mas agora os ambientes são bastante luminosos, os espaços desportivos apresentam uma boa variedade visual e a ilha de Wuhu consegue transmitir aquela sensação de destino turístico onde apetece passar algum tempo, com praias, zonas verdes, montanhas, instalações desportivas e diferentes pontos de interesse que tornam a exploração bastante agradável.

Importa, contudo, referir que não estamos perante uma produção visualmente revolucionária até porque a Nintendo privilegia uma direção artística simples e funcional, salientando a clareza dos elementos e a fluidez da experiência em detrimento de um realismo gráfico mais ambicioso. Na minha opinião, é uma decisão sensata, pois um jogo desta natureza não precisa de apresentar personagens extremamente realistas ou cenários tecnicamente complexos, mas sim conseguir transmitir uma sensação de alegria, dinamismo e acessibilidade, algo que Nintendo Switch Sports Resort consegue alcançar com bastante eficácia.

A componente sonora mantém a abordagem descontraída e familiar da série, apresentando temas alegres e ritmados, contribuindo para criar um ambiente descontraído e apropriado às atividades disponíveis, nunca procurando assumir um protagonismo excessivo, funcionando sobretudo como complemento à ação e ajudando a manter uma atmosfera positiva durante as sessões de jogo. Os efeitos sonoros desempenham um papel particularmente importante, uma vez que cada modalidade apresenta características próprias, como por exemplo, o som da bola a atingir os pinos no bowling, o impacto da raquete durante uma partida de ténis, as pancadas no boxe ou os efeitos associados às diferentes atividades aquáticas ajudam a transmitir maior autenticidade às experiências.

Importa, contudo, referir que não estamos perante uma produção visualmente revolucionária até porque a Nintendo privilegia uma direção artística simples...

CONCLUSÃO

Nintendo Switch Sports Resort não reinventa a fórmula, mas aperfeiçoa-a de forma bastante convincente, disponibilizando doze modalidades, novas formas de interação e recuperando o encanto de Wuhu Island, sendo uma experiência desportiva que tem tudo para proporcionar excelentes momentos de diversão na Nintendo Switch 2.

Na minha opinião, este é um dos títulos mais interessantes para quem procura uma experiência familiar, descontraída e capaz de reunir diferentes gerações em frente à televisão e é também uma demonstração de que a Nintendo continua a compreender muito bem a importância da simplicidade e da diversão imediata.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.


 
 

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