O mais recente título que tivemos a oportunidade de testar foi Orbitals, um jogo exclusivo para a Nintendo Switch 2, descrito como uma aventura cooperativa para dois jogadores que combina plataformas, puzzles e ação num universo de ficção científica com forte inspiração nos animes das décadas de 1980 e 1990.
Desenvolvido pela Shapefarm e publicado mundialmente pela Kepler Interactive, Orbitals foi lançado no passado dia 3 de setembro e apresentou-se ao mundo como sendo uma aventura cooperativa visualmente deslumbrante, onde a criatividade, a coordenação e a amizade são tão importantes como a habilidade para superar cada desafio.
INTRODUÇÃO
Existem jogos que procuram impressionar através da dimensão dos mundos, outros através da complexidade das suas mecânicas e existem ainda aqueles que sabem exatamente aquilo que querem ser e concentram todos os seus esforços em proporcionar uma experiência coesa, divertida e visualmente marcante, o que é o caso deste título. Orbitals é uma aventura cooperativa concebida para dois jogadores, não existindo uma campanha tradicional para jogar sozinho, porque a experiência foi pensada para duas pessoas, com cada jogador a controlar uma das personagens e a participar ativamente na resolução dos desafios.
O primeiro impacto é o seu aspeto visual, isto porque Orbitals parece ter saído diretamente de uma produção de animação japonesa de ficção científica das décadas de 80 e 90. As personagens, os veículos, os ambientes, os efeitos visuais e até a forma como determinadas cenas são apresentadas contribuem para criar uma identidade artística extremamente forte. As referências a universos como Gundam, Cowboy Bebop, Akira ou outras obras de animação japonesa são evidentes, mas não impedem Orbitals de construir uma personalidade própria.
O resultado é uma experiência particularmente interessante para quem procura um jogo para desfrutar acompanhado, não pretendendo reinventar o género cooperativo, mas demonstrando uma capacidade interessante para combinar plataformas, puzzles, exploração e ação.

Orbitals é uma aventura cooperativa concebida para dois jogadores, não existindo uma campanha tradicional para jogar sozinho...
NARRATIVA
A história de Orbitals acompanha Maki e Omura, dois jovens exploradores que se veem envolvidos numa missão destinada a proteger a sua colónia de uma ameaça cósmica. Cabe à dupla enfrentar o perigo, explorar diferentes ambientes, reparar equipamentos e ultrapassar uma sucessão de obstáculos e desafios. A relação entre os protagonistas e o passado associado à tempestade ajudam a estabelecer o contexto da aventura, enquanto personagens secundárias como Togen e Kinakoko contribuem para dar maior personalidade ao universo. A simplicidade narrativa permite que o jogo coloque o foco naquilo que realmente pretende oferecer, ou seja, uma aventura cooperativa dinâmica, acessível e constantemente estimulante.
Mas, apesar de existir uma premissa interessante, é precisamente na narrativa que Orbitals revela uma das suas maiores limitações. O universo é suficientemente rico para sustentar uma história bastante mais desenvolvida, mas o jogo opta por avançar rapidamente entre situações e desafios, isto porque a aventura está tão concentrada em proporcionar novas mecânicas e momentos cooperativos que acaba por não dedicar tempo suficiente à construção emocional das personagens. Existe uma sensação persistente de que poderiam ter sido personagens muito mais memoráveis caso a narrativa tivesse permitido conhecer melhor as suas motivações, relações e passado. O mesmo acontece com algumas das personagens secundárias, que até despertam alguma curiosidade, mas raramente têm espaço suficiente para desenvolver todo o seu potencial.
Essencialmente a história funciona como suporte para a aventura, não alcançando um nível suficientemente elevado, ainda assim, seria injusto considerar a narrativa como um total fracasso, uma vez que ela cumpre a sua função, criando um universo interessante e fornecendo motivação suficiente para continuar a aventura, porém, Orbitals tinha margem de manobra para muito mais.
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| A história de Orbitals acompanha Maki e Omura, dois jovens exploradores que se veem envolvidos numa missão destinada a proteger a sua colónia de uma ameaça cósmica. |
JOGABILIDADE
É na jogabilidade que Orbitals encontra a sua verdadeira força. O jogo foi concebido exclusivamente para dois jogadores e esta decisão está presente praticamente em todos os momentos, porque as próprias mecânicas foram construídas para exigir constantemente comunicação, coordenação e colaboração. Cada jogador pode utilizar diferentes ferramentas e estas são combinadas de formas bastante criativas para ultrapassar díspares obstáculos. Lasers, ganchos, água, plataformas, espelhos e outros elementos são utilizados em puzzles que procuram constantemente encontrar novas formas de obrigar os jogadores a trabalhar em conjunto.
Um dos aspetos mais interessantes é que as ferramentas disponíveis não são utilizadas sempre da mesma maneira, isto porque uma determinada mecânica pode parecer simples numa situação e, pouco depois, ser integrada num puzzle completamente diferente. Esta capacidade de reutilizar conceitos sem os tornar excessivamente repetitivos demonstra um trabalho de design bastante competente, mantendo a experiência menos repetitiva, por exemplo, existem momentos em que um jogador precisa de abrir caminho para o outro, enquanto noutras situações ambos têm de executar ações quase simultaneamente, de modo a avançar na aventura. Os controlos são intuitivos e assertivos, algo particularmente importante num jogo onde determinados desafios exigem alguma precisão.
Todavia, Orbitals também possui algumas incongruências na jogabilidade, isto porque em alguns momentos a divisão das tarefas não é suficientemente equilibrada e um dos jogadores pode acabar simplesmente à espera, por vezes demasiado tempo, que o outro resolva determinada parte do puzzle. São momentos relativamente pontuais, porém, quando ocorrem quebram ligeiramente a dinâmica cooperativa que o restante jogo estabelece tão bem. Os combates contra bosses também não proporcionam o mesmo nível de criatividade dos puzzles, isto porque enquanto alguns desafios cooperativos conseguem surpreender pela forma como utilizam as ferramentas disponíveis, determinadas batalhas parecem apostar mais na ação direta do que em mecânicas verdadeiramente inventivas.
Ainda assim, o balanço é claramente positivo até porque a cooperação não deve ser apenas uma característica adicional, mas sim o centro de toda a experiência. É necessário conversar, experimentar, observar o que o outro jogador está a fazer e, inevitavelmente, rir quando um erro de comunicação provoca uma queda ou uma tentativa falhada, contudo, é precisamente nesses pequenos momentos que o jogo ganha personalidade.

O jogo foi concebido exclusivamente para dois
jogadores e esta decisão está presente praticamente em todos os momentos...
LONGEVIDADE
Orbitals não é um título demasiado extenso, até pode ser considerado como uma aventura relativamente curta, porque a campanha tem uma duração aproximadamente entre cinco a sete horas, dependendo, obviamente, do ritmo da dupla, da capacidade para resolver os puzzles e da vontade de explorar os diferentes ambientes. Além da campanha principal, existem pequenos minijogos e atividades espalhados pela estação espacial, que permitem aos jogadores simplesmente descontrair entre missões, sendo que estes momentos contribuem para tornar o universo mais vivo e funcionam como pequenos extras para quem pretende explorar tudo aquilo que Orbitals tem para oferecer.
Existe, contudo, uma sensação inevitável de que o jogo poderia ter oferecido mais, não necessariamente mais puzzles ou mais horas de campanha, mas sobretudo mais tempo para desenvolver a narrativa, as personagens e o próprio universo, até porque quando concluímos a aventura, fica aquela sensação de que terminou precisamente quando estávamos totalmente envolvidos naquele mundo e sedentos de mais para descobrir. No entanto, os jogos cooperativos são facilmente rejogáveis, possuindo uma alta capacidade de reutilização, aumentando exponencialmente a jogabilidade, porque podemos sempre repetir a experiência com outros jogadores.

Orbitals não é um
título demasiado extenso, até pode ser considerado como uma aventura
relativamente curta, porque a campanha tem uma duração aproximadamente entre
cinco a sete horas...
GRAFISMO E SONOPLASTIA
A nível gráfico, a Shapefarm conseguiu criar um título que parece saído diretamente de uma série de animação japonesa, com inspirações claras nas décadas de 80 e 90, estando presente em praticamente todos os elementos, desde o desenho das personagens aos cenários, passando pelas naves, criaturas e efeitos especiais. As sequências cinematográficas integram-se de forma muito natural com a jogabilidade, criando transições que ajudam a reforçar a sensação de estar verdadeiramente a controlar um episódio de uma série de anime.
Os ambientes são coloridos, detalhados e muito distintos entre si, com paisagens espaciais a transmitir uma escala impressionante, enquanto os elementos em primeiro plano apresentam um nível de detalhe bastante elevado. O objetivo passa por reproduzir a sensação visual de uma produção de animação televisiva, em vez de apostar simplesmente numa imagem extremamente fluida, altamente definida e ultrarrealista.
Orbitals beneficia claramente ao ser jogado numa televisão ou monitor de grandes dimensões, apesar de ser possível jogar no modo portátil, mas não é inevitavelmente a forma ideal de apreciar toda a riqueza visual do jogo. Como o jogo utiliza ecrã dividido para o modo cooperativo local, o tamanho reduzido do ecrã da consola pode tornar alguns elementos menos confortáveis de visualizar e até ser um obstáculo extra na resolução dos puzzles.
A banda sonora é uma das grandes responsáveis pela atmosfera de Orbitals, recorrendo a uma sonoridade fortemente inspirada no anime de ficção científica das décadas de 80 e 90. Ao longo da campanha, a música alterna entre temas energéticos e momentos mais atmosféricos, acompanhando de forma eficaz aquilo que acontece no ecrã. Os efeitos sonoros também merecem destaque, isto porque os sons mecânicos, os lasers, os equipamentos, as naves e até as pequenas criaturas possuem uma personalidade sonora própria. São pequenos detalhes que contribuem significativamente para a sensação de estar dentro daquele universo.
No conjunto, a sonoplastia cumpre muito bem a sua função e, juntamente com o grafismo, ajuda a transformar Orbitals numa experiência extremamente coerente.
CONCLUSÃO
Orbitals é um título que consegue deixar uma impressão muito forte logo nos primeiros minutos. A sua maior virtude está na capacidade de combinar uma direção artística extraordinária com uma experiência cooperativa genuinamente pensada para duas pessoas, não é simplesmente um jogo com um modo cooperativo, mas sim um jogo construído à volta da ideia de cooperação, coordenação e comunicação.
É uma aventura cooperativa divertida, visualmente extraordinária, tecnicamente competente e com uma identidade muito própria, ficando apenas aquém das expectativas, sobretudo, na narrativa, até porque o universo criado era suficientemente interessante para justificar uma história mais desenvolvida.
Para quem tem alguém com quem jogar, encontra aqui uma experiência especialmente adequada para uma sessão de jogo partilhada, seja localmente ou através das funcionalidades online da Nintendo Switch 2. O jogo suporta dois jogadores numa consola e também cooperação online, incluindo GameShare através do GameChat e um Global Friend's Pass que permite a um amigo participar na aventura completa sem ter de comprar uma segunda cópia.
Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas



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