JOGOS: Xenoblade Chronicles 2 - Nintendo Switch 2 Edition | Análise

11.8.26

Recentemente tivemos a oportunidade de testar o Xenoblade Chronicles 2 - Nintendo Switch 2 Edition, que tal como o próprio nome indica é uma versão especifica para a Nintendo Switch 2 apresentando diversas melhorias que falaremos mais à frente.

Esta nova versão chegou ao mercado no passado dia 30 de julho de 2026 e merece ser encarada não apenas como uma simples atualização gráfica, mas sim como uma oportunidade para revisitar um dos RPG mais ambiciosos da geração Nintendo Switch.

INTRODUÇÃO

Quando Xenoblade Chronicles 2 chegou à Nintendo Switch, em dezembro de 2017, rapidamente se afirmou como uma das experiências mais ambiciosas e interessantes da consola. Desenvolvido pela Monolith Soft, o jogo deu a conhecer o gigantesco mundo de Alrest, construído sobre os corpos de enormes Titãs, e colocou o jogador na pele de Rex, um jovem Driver que acaba envolvido numa aventura muito maior do que poderia imaginar.

Quase nove anos depois, Xenoblade Chronicles 2 regressa à atualidade através da versão Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition, cujo propósito passa por não alterar a essência do jogo original, nem reinventar a sua estrutura, mas sim aproveitar o hardware muito mais poderoso da Nintendo Switch 2 para corrigir algumas das limitações técnicas que acompanharam o jogo desde o seu lançamento e, simultaneamente, acrescentar novos conteúdos e muitas melhorias na qualidade global da experiência.

...colocou o jogador na pele de Rex, um jovem Driver que acaba envolvido numa aventura muito maior do que poderia imaginar.

DIFERENÇAS ENTRE A VERSÃO ORIGINAL E A NINTENDO SWITCH 2 EDITION

A diferença é particularmente evidente quando colocamos lado a lado as duas versões. Na Nintendo Switch original, Xenoblade Chronicles 2 era tecnicamente impressionante, mas também bastante exigente para o hardware, onde a resolução podia baixar consideravelmente, sobretudo no modo portátil, para além de existirem algumas quebras de desempenho, que a própria Nintendo reconhecia, afirmando que a experiência portátil apresentava diferenças significativas relativamente ao modo TV. Na Nintendo Switch 2, a realidade é bastante diferente, uma vez que a nova edição apresenta suporte para 4K no modo TV, 60 fps e 1080p no modo portátil.

A grande virtude de Xenoblade Chronicles 2 sempre esteve no seu mundo, denominado de Alrest que é um cenário de enorme escala, construído sobre gigantescos Titãs que percorrem um oceano de nuvens, onde cada Titã funciona praticamente como um pequeno mundo, com ambientes, cidades, personagens, criaturas e ecossistemas próprios. Esta particular conceção permite que a exploração tenha uma identidade muito peculiar, pois ao invés de atravessarmos um continente convencional, viajamos literalmente sobre seres vivos gigantescos. Florestas, desertos, cidades industriais, zonas montanhosas e regiões geladas surgem sucessivamente, criando uma sensação constante de descoberta e é uma ideia que continua a funcionar extraordinariamente bem em pleno 2026.

Na versão original, porém, a componente visual nem sempre conseguia acompanhar a dimensão da proposta, até porque o jogo era tecnicamente muito ambicioso para a Nintendo Switch, e a resolução dinâmica, especialmente no modo portátil, podia tornar a imagem bastante desfocada. A Nintendo Switch 2 reduz consideravelmente esse problema, resultando num mundo muito mais agradável de observar, sobretudo quando jogado num ecrã de dimensões consideráveis, uma vez que as paisagens ganham mais definição, os modelos das personagens apresentam-se com maior clareza e com uma imagem significativamente mais definida, mas não estamos perante um remake construído de raiz com texturas e modelos completamente refeitos, mas sim uma versão melhorada de Xenoblade Chronicles 2.

A diferença dos 30 para os 60 fps é provavelmente a alteração que mais facilmente se sente durante a experiência, uma vez que a movimentação da personagem, o combate, as transições entre ataques e a sucessão de combos, tornam-se claramente mais naturais e fluídos. Não se trata apenas de um grafismo mais agradável, mas sim uma experiência de jogo mais enriquecedora e fidedigna.

Por outro lado, Xenoblade Chronicles 2 é um RPG gigantesco e visualmente muito exigente e colocá-lo numa consola portátil obrigava a aceitar uma redução significativa da resolução para manter o jogo funcional na anterior consola da Nintendo. A Nintendo Switch 2 muda completamente esta relação, uma vez que possibilita de jogar a 1080p em modo portátil representando uma evolução enorme na definição da imagem, aproximando a experiência portátil daquilo que esperamos atualmente de um RPG desta dimensão.

...os modelos das personagens apresentam-se com maior clareza e com uma imagem significativamente mais definida...

NARRATIVA

A história continua a ser um ponto fulcral para jogar Xenoblade Chronicles 2, mas não existem grandes alterações, por isso, para aqueles que já jogaram no passado, não é seguramente por essa razão que vão voltar a revisitar o título.

De uma forma sucinta, acompanhamos Rex, um jovem Driver que vive num mundo chamado Alrest, formado por enormes Titãs que flutuam sobre um mar de nuvens. Depois de conhecer Pyra, uma poderosa Blade conhecida como Aegis, Rex parte numa viagem em direção a Elysium, uma terra lendária onde acredita encontrar um novo lar para a humanidade. Ao longo da aventura, Rex reúne companheiros como Nia, Tora, Morag e Zeke, enquanto enfrenta diferentes inimigos e se envolve num conflito que ultrapassa largamente a sua missão inicial. A viagem acaba por revelar segredos sobre a origem das Blades, os Titãs, a Aegis e o próprio mundo de Alrest. No fundo, é uma história sobre amizade, esperança, sacrifício e a procura de um futuro melhor, combinando momentos de aventura e humor com acontecimentos bastante emocionais.

JOGABILIDADE

O sistema de combate continua a ser um dos aspetos mais exigentes do jogo, porque à primeira vista parece um sistema de ação semelhante a tantos outros, porém, rapidamente percebemos que existe uma enorme camada estratégica, repleta de exigência e que obriga o jogador a conhecer uma panóplia gigantesca técnicas, movimentações e afins, para ter sucesso na demanda.

É possível passar várias horas sem compreender verdadeiramente o potencial do sistema de combate, uma vez que se torna evidentemente excessivo, para além de nem sempre explicar as mecânicas da melhor maneira possível, sendo umas das principais desvantagens do jogo. Só para se ter uma pequena ideia, o jogador tem a necessidade de compreender demasiadas questões como, Drivers, Blades, elementos, artes, especiais, combos de Driver, combos de Blade, Break, Topple, Launch, Smash, afinidade, equipamentos, acessórios, Core Chips, Aux Cores, etc.

...rapidamente percebemos que existe uma enorme camada estratégica, repleta de exigência e que obriga o jogador a conhecer uma panóplia gigantesca técnicas...

LONGEVIDADE

Xenoblade Chronicles 2 é repleto de conteúdo, apresentando uma campanha longa e duradoura, mas a quantidade de atividades secundárias roça o absurdo. Existem missões extra, Blades para obter, afinidades para desenvolver, áreas para explorar, inimigos únicos para enfrentar, equipamentos para melhorar e sistemas que podem consumir dezenas de horas. É um título que pode facilmente ultrapassar largamente as duas centenas de horas, para quem pretende explorar tudo exaustivamente.

E isto sem contar com Torna – The Golden Country e os restantes conteúdos do Expansion Pass, o que acrescenta mais umas longas horas, portanto, a longevidade é uma das maiores vantagens do jogo. Mas também pode ser uma desvantagem, pois a quantidade de sistemas e atividades pode tornar a experiência cansativa para jogadores que pretendem simplesmente acompanhar a história e existem determinados momentos em que o jogo exige demasiado trabalho ao jogador para progredir na trama.

GRAFISMO E SONOPLASTIA

Visualmente, Xenoblade Chronicles 2 continua a ter uma identidade muito própria, assente num estilo artístico inspirado em anime, com enormes Titãs, cidades bastante coloridas, diferentes ambientes que continuam a funcionar muito bem, sendo caso para escrever que a direção artística envelheceu consideravelmente melhor do que a tecnologia. É precisamente por isso que a Nintendo Switch 2 Edition consegue produzir um resultado tão interessante sem necessitar de reconstruir completamente os modelos. As paisagens ganham mais profundidade, as personagens apresentam maior definição e os efeitos visuais beneficiam da maior estabilidade do hardware.

Ainda assim, a experiência não deixa, contudo, de revelar algumas limitações herdadas do jogo original, onde texturas, geometrias, imagens mais suaves do que seria desejável e alguns modelos continuam a evidenciar a idade da produção, especialmente verificado no modo portátil.

Se existe um elemento que continua praticamente intocável pela passagem do tempo, é a componente sonora, com músicas épicas a acompanhar perfeitamente distintas situações, como exploração, batalhas, momentos emocionais e confrontos mais intensos. A sonoplastia cumpre igualmente bem a sua função, garantindo que os ataques possuem impacto devido, os ambientes apresentem uma identidade própria e as batalhas acompanhadas por efeitos suficientemente fortes para transmitir a dimensão dos confrontos.

As paisagens ganham mais profundidade, as personagens apresentam maior definição e os efeitos visuais beneficiam da maior estabilidade do hardware.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Xenoblade Chronicles 2 - Nintendo Switch 2 e Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition - Expansion Pass são diferentes e é uma questão que pode gerar alguma confusão, uma vez que a Nintendo Switch 2 Edition não inclui automaticamente o Expansion Pass.

O Expansion Pass, vendido separadamente da versão Xenoblade Chronicles 2 - Nintendo Switch 2, é um conjunto de conteúdos adicionais lançados para o jogo original e é tudo menos um pequeno pacote de DLC, pois trata-se de uma expansão bastante significativa que acrescenta novos itens, missões, conteúdos de combate, uma nova Blade e, sobretudo, uma aventura completamente nova, dentro do universo de Xenoblade Chronicles 2, apelidada de Torna - The Golden Country. A história decorre 500 anos antes dos acontecimentos do jogo principal e acompanha personagens como Jin e Lora, permitindo um conhecimento mais aprofundado sobre a origem da Aegis.

CONCLUSÃO

Xenoblade Chronicles 2 - Nintendo Switch 2 é, atualmente, melhor forma de experimentar o jogo, especialmente para aqueles que nunca se aventuraram pelas terras desse incrível universo, uma vez que preserva tudo aquilo que tornou o original especial e resolve boa parte das suas limitações técnicas. A evolução para 60 fps, a melhoria da resolução e a otimização do modo portátil, melhoram significativamente a experiência.

Para quem já possui a versão Nintendo Switch, a decisão é um pouco mais complicada, pois o jogo original continua perfeitamente jogável e, para alguém que já investiu dezenas ou centenas de horas nele, a compra de uma nova versão pode parecer difícil de justificar.

Resumindo, Xenoblade Chronicles 2 - Nintendo Switch 2 continua a ser uma aventura enorme, tremendamente emocional, extremamente complexa, mas, no fundo e depois de inúmeras horas, recompensadora, encontrando na Nintendo Switch 2, finalmente, uma plataforma capaz de lhe fazer toda a justiça.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas


 
 

  • Share:

Também poderá gostar de

0 comments