JOGOS: Marvel's Wolverine | Análise

29.9.26

Uns dos títulos mais aguardados do ano de 2026 era precisamente Marvel's Wolverine, contudo a espera finalmente terminou.

O exclusivo PlayStation 5 já se encontra disponível e ser desenvolvido pela Insomniac Games é, por si só, um excelente cartão de visita. Publicado pela Sony Interactive Entertainment, o título é, obviamente, baseado nas aventuras da personagem da Marvel, o Wolverine, numa história completamente original.

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos, a personagem Wolverine deu origem a diversos jogos, isto talvez porque as suas principais características, como as garras de adamantium, o fator de cura, a personalidade agressiva, o passado misterioso e a relação complicada com outros mutantes, são uma excelente matéria prima para a criação de novas narrativas e aventuras. Por outro lado, depois do trabalho desenvolvido pela Insomniac Games com o Marvel’s Spider-Man, as expectativas em torno de Marvel’s Wolverine eram inevitavelmente elevadas.

Todavia, Marvel’s Wolverine optou por um caminho diferente, isto porque em vez de transportar a fórmula de Spider-Man para outro herói e criar mais um enorme mundo aberto, a Insomniac Games optou por desenvolver uma aventura linear, centrada na narrativa, na ação e, sobretudo, no próprio Wolverine. A decisão acabou por ser uma das características mais importantes do jogo, permitindo uma experiência mais controlada e cinematográfica, embora também revelando algumas limitações estruturais.

Marvel’s Wolverine não é uma experiência perfeita e nem pretende reinventar o género de ação na terceira pessoa. É, acima de tudo, uma interpretação muito própria de Logan, construída à volta da violência, da brutalidade e da dimensão humana de uma personagem que está constantemente dividida entre o homem e a fera.

NARRATIVA

A trama ocorre três anos depois de Logan abandonar a Equipa X, porém, ele é novamente envolvido nos problemas dos mutantes, numa altura em que Bolivar Trask conduz uma campanha de perseguição, captura e realização de experiências sobres indivíduos com capacidades mutantes. Para piorar a situação e pelo meio da aventura, Logan é constantemente atormentado pelas suas memórias fragmentadas, o seu passado e a dificuldade em compreender exatamente quem é e quem pretende ser.

O que é mais fascinante na história é que o Wolverine não é apresentado apenas como uma máquina de combate, uma vez que por baixo da violência existe uma personagem atormentada, com dúvidas, sentimentos de culpa e uma necessidade constante de controlar a sua própria natureza. Para complementar a trama, o título conta com a presença de personagens desse universo, como Mystique, Sabretooth e Jean Grey, todas elas com contributos influentes, mas simultaneamente distintos, no desenrolar da ação. Por exemplo, a relação entre Logan e Sabretooth, em particular, beneficia de uma história partilhada que vai sendo revelada através dos acontecimentos da campanha, Jean Grey proporciona uma relação diferente, mais emocional, enquanto Mystique funciona como companheira de combate e personagem com interesses próprios.

Todavia, existem alguns aspetos na narrativa que, na minha opinião, poderiam ter sido evitados ou contornados, especialmente sobre o passado de Logan, que são apresentados ao jogador através de atividades opcionais que deveriam ter sido integradas de forma mais natural na narrativa principal. Ainda assim, a ideia de apresentar um Wolverine mais humano e introspetivo, merece o natural destaque, pois o jogo não se limita (e bem) a mostrar uma personagem que entra numa sala e elimina tudo o que aparece pela frente, procurando também mostrar as consequências psicológicas dessa violência e a luta permanente de Logan contra aquilo que existe dentro dele.

A trama ocorre três anos depois de Logan abandonar a Equipa X, porém, ele é novamente envolvido nos problemas dos mutantes...

JOGABILIDADE

A Insomniac Games percebeu que para criar o Marvel’s Wolverine não poderia simplesmente utilizar o sistema de combate existente no Marvel’s Spider-Man e, basicamente, substituir as teias pelas garras! Na teoria até podia, que o jogo seria interessante na mesma, contudo o personagem Wolverine precisava de ser mais violento, agressivo e brutal e é exatamente isso que o jogo proporciona.

O combate, como não poderia deixar de ser, é rápido, violento e extremamente físico, isto porque Wolverine não se limita a atacar sempre da mesma forma, uma vez que se pode aproximar dos inimigos, desfere golpes sucessivos, utiliza as garras de adamantium, recorre a diversos equipamentos e estruturas espalhadas no cenário transformando determinados confrontos em verdadeiros massacres, onde a sensação de impacto é, particularmente, satisfatória. À medida que Wolverine luta e acumula raiva, vai desbloqueando diferentes níveis de intensidade e quando a barra atinge níveis superiores, os ataques tornam-se mais poderosos e surgem oportunidades para executar golpes particularmente brutais e devastadores.

Também existem outras habilidades e capacidades especiais que podem ser desbloqueadas ao longo da aventura, acrescentando várias novas formas de atacar os inimigos. Algumas dessas aptidões podem ser associadas aos botões direcionais do comando e serem alteradas sempre o que o jogador entenda, enquanto as Adaptações, introduzem melhorias permanentes na personagem. A simplicidade do sistema torna o combate imediatamente acessível, permitindo a qualquer jogador, começar de imediato a ação, não obrigando a dominar dezenas de combinações complexas para ser bem-sucedido no confronto frente aos incautos. Por outro lado, essa simplicidade pode ser encarada como falta de ambição da equipa de desenvolvimento e até mesmo não acompanhar, totalmente, todo o potencial apresentado pelo conceito do jogo.

Marvel’s Wolverine também disponibiliza a possibilidade de uma abordagem mais furtiva, embora essa vertente seja claramente secundária, uma vez que o confronto frente a frente é, evidentemente, privilegiado. Ainda assim, Logan consegue utilizar os seus sentidos aprimorados para localizar inimigos, seguir pistas e abater os adversários silenciosamente. Ao invés do Marvel’s Spider-Man, este título é linear, mas existem alguns momentos, mais ou menos livres, em que a exploração utiliza igualmente os sentidos de Wolverine para seguir cheiros, identificar objetos e localizar pistas.

No cômputo geral, a Insomniac Games conseguiu atribuir uma identidade própria ao combate de Logan e apesar de não ser o sistema mais complexo do género, é um elemento diferenciador e que melhor consegue transmitir a fantasia daquilo que será, eventualmente, controlar o Wolverine.

O combate, como não poderia deixar de ser, é rápido, violento e extremamente físico...

LONGEVIDADE

Marvel’s Wolverine não é um jogo longo e, nem sequer foi planeado para fazer o jogador despender dezenas e dezenas de horas, como outros títulos semelhantes. A campanha principal tem a duração de, sensivelmente, 20 horas, dependendo, obviamente, do ritmo de cada jogador e do nível de exploração, isto porque existem conteúdos adicionais, colecionáveis, desafios e atividades opcionais.

Esta duração adotada pela Insomniac Games é perfeitamente coerente com a estrutura mais linear do jogo, permitindo que a campanha mantenha um ritmo relativamente constante, desde o início até ao fim. Esta opção tem vantagens evidentes, pois a história não fica diluída por dezenas de tarefas secundárias semelhante e até repetitivas, mantendo o jogador sempre a avançar para o próximo momento importante. Por outro lado, a ausência de uma estrutura mais aberta origina menos liberdade para, simplesmente, explorar todos os cantos do mapa.

Em termos de atividades secundárias ou paralelas, Marvel’s Wolverine disponibiliza áreas mais abertas, particularmente em determinados momentos da campanha, onde é possível procurar materiais, colecionáveis, fatos, garras alternativas e outros elementos, como os Nightmare Trials que acrescentam desafios opcionais e ainda o New Game+, que são conteúdos destinados a prolongar a experiência.

A longevidade acaba, portanto, por depender bastante daquilo que cada jogador procura, isto porque quem pretende apenas terminar a campanha encontrará uma aventura relativamente concentrada, ao passo que quem quiser descobrir todos os segredos, experimentar diferentes melhorias, completar desafios e revisitar missões, terá razões adicionais para regressar.

A campanha principal tem a duração de, sensivelmente, 20 horas...

GRAFISMO E SONOPLASTIA

A Insomniac Games sempre demonstrou uma enorme competência técnica na construção das personagens, dos ambientes e das cutscnes, o que já é quase encarado como uma imagem de marca nos seus títulos. Os modelos faciais são particularmente impressionantes, com expressões detalhadas e animações capazes de transmitir as díspares emoções de uma forma convincente, tendo em Logan um dos expoentes máximos, emanando presença e personalidade. O movimento das garras, a postura corporal e a forma como Wolverine reage aos ataques, contribuem para criar a sensação de controlar um personagem fisicamente poderoso, possante e visceral.

A aventura passa por localidades diferenciadas, como Canadá, Japão e Madripoor, apresentando sempre ambientes e cenários bastante distintos, ajudando a evitar uma apresentação visual demasiado repetitiva. Para se ter uma ideia mais concreta, em Tóquio visualizamos frequentemente locais com iluminação brilhantes, néon intensos, arquitetura contemporânea e ambientes urbanos mais densos e populosos, enquanto nas paisagens canadianas, a estética é completamente diferente, apresentando florestas repletas de vegetação e muita neve. No geral, Marvel’s Wolverine é, efetivamente um título com um grafismo de grande qualidade, sendo mais uma demonstração clara das capacidades da PlayStation 5.

A componente sonora acompanha bem a identidade mais agressiva do jogo, especialmente os efeitos especiais associados às garras, que são, obviamente, importantes, isto porque cada golpe precisa de transmitir impacto e intensidade, ajudando a criar a sensação da dura fisicalidade dos confrontos. O Feedback Háptico do DualSense é perfeito para esse desígnio, enquanto os gatilhos adaptativos acrescentam uma sensação de resistência em determinados momentos, ajudando a reforçar a ideia de contacto físico durante os combates. David Fleming foi responsável pela música do jogo, criando uma composição que acompanha a evolução emocional de Logan percorrendo as diferentes etapas da aventura.

Uma palavra muito especial para o ator Diogo Morgado, que dá a voz a Logan na versão portuguesa, através de uma interpretação de elevada qualidade, como já vem sendo habitual nos trabalhos semelhante realizados num passado recente, como por exemplo em títulos como Detroit: Become Human, God of War: Ragnarok, Marvel’s Spider-Man 2 e inFAMOUS: Second Son.

A Insomniac Games sempre demonstrou uma enorme competência técnica na construção das personagens, dos ambientes e das cutscnes...

CONCLUSÃO

A meu ver, a decisão mais importante tomada por parte da Insomniac Games, foi não criar um título que não tenta ser Marvel’s Spider-Man com outro protagonista, optando por construir uma aventura mais linear, mais concentrada e mais agressiva, colocando o combate como o ponto principal da experiência. O resultado é uma interpretação de Wolverine que consegue transmitir de forma bastante convincente aquilo que significa controlar um dos personagens mais violentos e carismáticos da Marvel.

Não é, claramente, um jogo perfeito e está longe de representar uma revolução no seu género, contudo, é uma aventura de ação competente, visualmente impressionante e particularmente eficaz naquilo que melhor sabe fazer, ou seja, colocar o jogador no centro de combates brutais, rápidos e violentos.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas

 

 

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