Recentemente tivemos acesso a mais um jogo, desta vez o Flashback 2, um título lançado mais de 30 anos depois do seu antecessor, o clássico Flashback disponibilizado para o saudoso Commodore Amiga e mais tarde convertido para outras plataformas.
Desenvolvido e publicado pela Microids, mas com a assinatura de Paul Cuisset, figura incontornável que ficou ligada diretamente ao primeiro título, tendo inclusive desempenhando funções de escrita e até alguma parte da própria programação, Flashback 2 é a sequela direta do seu predecessor, dando seguimento aos acontecimentos.
Por razões óbvias, temos que enquadrar os nossos leitores em determinados aspetos, antes de avançar propriamente para o artigo de opinião. Para os mais experientes no universo dos videojogos, certamente que são despertadas algumas memórias e sentimentos de nostalgia assim que leem o nome de Flashback, uma vez que na altura ficou famoso pelo grafismo, animações inovadoras e puzzles desafiantes, chegando a ser listado no Guinness World Records como o jogo francês mais vendido de todos os tempos (na época!). Os mais novos, certamente nunca ouviram do jogo e se forem pesquisar na internet sobre informações, certamente ficarão um pouco desiludidos com o que vão encontrar, porém necessitam de ter em mente que passaram mais de 30 anos, tudo evoluiu e atualmente a tecnologia está a um nível, obviamente, muito superior. Será que a Microids fez bem em trazer de volta á vida um título clássico, sobretudo tantos anos depois.
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| Será que a Microids fez bem em trazer de volta á vida um título clássico, sobretudo tantos anos depois. |
A história ocorre no século XXII, onde a empresa United Works quer dar um passo em direção à sua expansão, porém o general Lazarus e a sua comitiva de extraterrestres não dão tréguas e ameaçam destruir toda a civilização. É neste cenário que entra em ação a personagem principal, Conrad Hart, o jovem agente do GBI (Galactic Bureau of Investigation), que tem como missão principal encontrar o paradeiro de Ian, cientista e amigo de longa data e ao mesmo tempo impedir a invasão dos Morphs, tentando perceber a razão dos seus intentos maléficos. Simples, precisa e direta, bem ao estilo dos datados anos 90!
E é no capítulo da jogabilidade que começam a surgir os primeiros contratempos. O controlo da personagem não é de todo amigável, requer um período de habituação e sobretudo de coordenação. Para além de nos descolarmos na horizontal, tal com o original, agora em Flashback 2 movimentamos Conrad Hart na profundidade, empurrando o analógico para cima e para baixo, consoante a direção pretendida, o que em determinadas ocasiões pode ser frustrante por não conseguir, por exemplo dar o salto para o local pretendido ou subir a respetiva plataforma. O mesmo acontece com a mira, assim que empunhamos a AISHA, a arma com uma espécie de IA, que faz um lock-on ao inimigo, mas para além de lento também não funciona assertivamente quando os opositores estão muito próximos ou em grupos muito numerosos.
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| O controlo da personagem não é de todo amigável e requer um período de habituação e sobretudo de coordenação. |
A nível gráfico, Flashback 2 está bastante superior ao seu antecessor, obviamente! Ainda assim, ostenta inúmeras situações preocupantes e até algumas bastante caricatas, como o desaparecimento misterioso de personagens impedindo a progressão no jogo. Outros mais comuns, como sobreposição de inimigos ou incautos presos nos cenários, ou até mesmo alguns ângulos da camara que não possibilitam a visão desimpedida para a ação, só para citar alguns exemplos. Sinceramente, fico com a ideia que inicialmente o estúdio de desenvolvimento tentou fazer um remake integral do jogo, porém a meio detonou algum desnorte, acabando por apenas efetuar uma espécie de reciclagem do aspeto gráfico com ligeiros upgrades e ainda por cima, nada de deslumbrante e carismático. Pelo seu lado, os cenários estão bem caracterizados, sempre com aquela conotação cyberpunk e de ficção científica. Uma nota final de lamento para as cutscenes estáticas, algo que nos dias de hoje já não deveria ser possível!
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| Pelo seu lado, os cenários estão bem caracterizados, sempre com aquela conotação cyberpunk e de ficção científica. |
A sonoplastia em Flashback 2, apesar de já ter experienciado algo bastante melhor noutros títulos, a mim particularmente agradou-me, sem contundo deslumbrar. As vozes das personagens estão bem conseguidas, apesar de aqui e ali, existir alguma repetição, os efeitos especiais dos tiros, explosões e afins, também estão a um nível razoável. No entanto, os sons ambientes dos locais onde a nossa personagem se encontra, por exemplo os laboratórios, as zonas mais futuristas e até mesmo a selva (sim, existem uma altura em que passamos por um local desse género), estão realmente apelativos e interessantes. O mesmo ocorre com a música ambiente, que aumenta de tom e intensidade, quando em alturas de combate e luta, transmitindo as sensações corretas.
Para concluir, não existem grandes motivos para nos aventurarmos mais do que uma vez em Flashback 2, até porque a questão da repetibilidade está bem patente no decorrer da aventura, ainda assim, o título contempla diversos finais. Por outro lado, a ausência do idioma português, quer nos menus do jogo, quer durante a cutscenes, é mais um motivo a lamentar profundamente, sobretudo nos dias de hoje, que os custos dessas traduções não são seguramente elevados.
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| No entanto, os sons ambientes dos locais onde a nossa personagem se encontrava, por exemplo os laboratórios, as zonas mais futuristas... |
Em suma, Flashback 2 despertou sensações mistas, uma vez que por um lado permitiu recordar com saudade um passado nostálgico, por outro desapontou, pois merecia uma experiência mais interessante e aliciante. Demasiados pequenos problemas, quer de jogabilidade, quer de mecânicas de jogo e mesmo bugs entediantes, não permitem elevar o jogo a outro patamar que não a mediocridade.
Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas






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