FILMES: Greenland - O Último Refúgio (2020) e Greenland: Um Novo Começo (2026) | A minha opinião
De volta aos filmes desta vez a escolha recaiu em dois, uma vez que o segundo é a sequela do primeiro, o que fazia todo o sentido ver um a seguir ao outro. A saga Greenland relata uma história de sobrevivência onde a esperança vale tanto como a força.
INTRODUÇÃO
Os filmes Greenland - O Último Refúgio e Greenland: Um Novo Começo embora possuam momentos de enorme espetáculo visual, a verdadeira identidade desta saga reside na componente humana. Em vez de acompanhar heróis invencíveis ou cientistas capazes de salvar o planeta no último segundo, a narrativa acompanha uma família comum confrontada com um acontecimento impossível de controlar.
Enquanto o primeiro filme introduz a queda iminente de um cometa capaz de provocar a extinção da humanidade, a sequela transporta os sobreviventes para uma nova realidade, onde o maior desafio já não é apenas sobreviver ao desastre, mas reconstruir uma civilização praticamente desaparecida. Apesar de partilharem o mesmo universo e as mesmas personagens principais, ambos os filmes abordam temas distintos, uma vez que o primeiro centra-se na urgência da sobrevivência, enquanto o segundo explora as consequências dessa sobrevivência. Uma diferença permite que cada filme possua uma identidade própria, evitando que a continuação se limite a repetir a fórmula original.
São dois filmes que procuram equilibrar ação, drama familiar, suspense e emoção, proporcionando uma experiência bastante mais madura do que muitos filmes do mesmo género.
RESUMO
Em Greenland - O Último Refúgio a história acompanha John Garrity (Gerard Butler de 300 ou Operação Kandahar), um engenheiro civil, a sua mulher Allison (Morena Baccarin de Deadpool ou Masters of the Universe) e o jovem Nathan (Roger Dale Floyd de Doutor Sono), onde a rotina da família é interrompida quando um enorme fragmento de um cometa entra na atmosfera terrestre e rapidamente se torna evidente que o planeta enfrenta um evento de extinção.
À medida que múltiplos fragmentos começam a atingir diferentes regiões do mundo, instala-se o caos, com as comunicações a entrarem em colapso, os governos deixam de conseguir controlar a população e milhões de pessoas tentam desesperadamente encontrar uma forma de sobreviver. Após receberem acesso a um bunker militar localizado na Gronelândia, a família inicia uma viagem extremamente perigosa, através de um percurso repleto de obstáculos, separações familiares, dilemas morais e decisões impossíveis. A destruição do planeta serve sobretudo como pano de fundo para contar uma história profundamente humana, onde a união familiar acaba por ser a maior arma contra o desespero.
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A sequela Greenland: Um Novo Começo decorre algum tempo após o impacto do cometa, onde uma parte da humanidade conseguiu sobreviver, vivendo em abrigos subterrâneos, contudo a superfície terrestre sofreu alterações profundas, até porque as infraestruturas desapareceram, os governos foram desmantelados e, agora, os sobreviventes precisam de aprender a viver numa realidade completamente desigual.
John, Allison e Nathan enfrentam um novo tipo de desafio, ou seja, abandonar a aparente segurança dos bunkers e explorar um planeta devastado, com recursos escassos, uma vez que as novas ameaças e conflitos entre sobreviventes, são cada vez mais perigosos. A narrativa muda de uma sobrevivência imediata para a reconstrução de uma nova sociedade, abordando temas como esperança, confiança, liderança, cooperação e capacidade de adaptação. Embora mantenha vários momentos de tensão, o foco desloca-se para as relações humanas e para a difícil tarefa de recomeçar quando praticamente tudo foi perdido.
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Ambos os filmes foram realizados por Ric Roman Waugh (Assalto ao Poder e Shelter – Sem Limites) e para além dos atores mencionados, contam com a participação de Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit), Tommie Earl Jenkins (Missão: Impossível – O Ajuste de Contas Final), Amber Rose Revah (De Paris com Amor), Scott Glenn (Caça ao Outubro Vermelho), entre outros.
OPINIÃO
Um dos aspetos que mais gostei foi a forma como o realizador decidiu por em prática a trama, uma vez que em vez de dedicarem grande parte do tempo a explicar fenómenos científicos ou apresentar planos milagrosos para salvar a Terra, decidiram colocam o espectador na rota de pessoas comuns, na tentativa de superar os problemas adjacentes, tornando toda a experiência muito mais próxima da realidade.
Em Greenland - O Último Refúgio, o sentimento dominante é, objetivamente, a ansiedade. Do início ao fim existe uma constante sensação de urgência, alimentada por um excelente ritmo narrativo, onde cada minuto parece importante e a imprevisibilidade dos acontecimentos mantém a tensão elevada praticamente durante todo filme. O comportamento humano perante uma tragédia global é o cerne da narrativa, onde conseguimos observar atos de enorme solidariedade, mas também momentos de egoísmo extremo, violência e desespero.
Visualmente, o filme consegue impressionar sem recorrer constantemente aos efeitos especiais exagerados, contudo as sequências de destruição são suficientemente impactantes para transmitir a dimensão da catástrofe, mas nunca retiram protagonismo ao drama humano.
Já em Greenland: Um Novo Começo, o realizador optou por um caminho diferente, uma vez que em vez de repetir a destruição existente no primeiro filme, procurou explorar as consequências desse desastre. Ou seja, no fundo, deixou de se centrar perigo imediato, passando para as dificuldades da reconstrução de uma nova civilização. Com isso, o filme ganha uma dimensão mais emocional, levantando questões sobre liderança, esperança, reconstrução social e capacidade de recomeçar após uma tragédia sem precedentes. Naturalmente, esta mudança de abordagem poderá dividir opiniões, ainda assim, pessoalmente tenho que valorizar a evolução lógica da narrativa, que faz todo o sentido.
No seu conjunto, os dois filmes acabam por ser complementar de forma bastante eficaz. O primeiro apresenta a queda da civilização, ao passo que o segundo explora a possibilidade de esta voltar a nascer. São duas histórias diferentes, mas profundamente interligadas, formando um percurso coerente sobre perda, sobrevivência e esperança.
CONCLUSÃO
Resumindo, a saga Greenland consegue afirmar-se como uma proposta bastante interessante no seu segmento, precisamente porque nunca perde de vista aquilo que realmente importa, ou seja, as pessoas. O primeiro filme proporciona uma experiência intensa, emocional e constantemente tensa, enquanto a sequela aposta numa abordagem mais reflexiva, explorando os desafios da reconstrução da humanidade. Não reinventam completamente o género, mas conseguem trazer-lhe uma dimensão humana que muitas produções semelhantes acabam por negligenciar.




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