JOGOS: Spirit of the North 2 | Análise

9.5.25

Numa altura em que estamos a receber jogos a um bom ritmo, tivemos a oportunidade de testar em antecipado o título Spirit of the North 2, na sua versão de PlayStation 5, contudo o jogo estará igualmente disponível nas plataformas Xbox Series S/X e PC.

Trazido ao mundo pelos estúdios de desenvolvimento Infuse Studio e publicado mundialmente pela Silver Lining Interactive, Spirit of the North 2 é a sequela de Spirit of the North lançado no passado ano de 2019 para a PlayStation 4, em 2020 para PC e Nintendo Switch. Mais tarde, em 2021, foi disponibilizada uma versão melhorada para a PlayStation 5 e Xbox Series S/X, de nome Spirit of the North: Enhanced Edition. No geral, o título obteve críticas positivas, especialmente pela direção de arte e banda sonora, porém, a jogabilidade e desempenho ficaram aquém do esperado. Será que Spirit of the North 2 ira superar o ser antecessor e elevar o título a um patamar de eleição?

Lamentavelmente, Spirit of the North 2 é (foi) a minha primeira experiência neste universo, uma vez que, infelizmente, não tive a oportunidade de testar o seu predecessor, porém é um dos títulos que está na minha lista de jogos a jogar, assim que a oportunidade surgir.

 

NARRATIVA

A ausência de trama é um ponto surpreendente de Spirit of the North e a sequela dá continuação a esse aspeto, ou seja, não apresenta qualquer diálogo ou narrativa, dando a oportunidade do jogador de comandar uma admirável raposa, enquanto percorre um mundo inspirado na mitologia nórdica. Existe uma frase bem icástica que sintetiza da melhor forma a experiência que o jogador pode esperar, que é: “A narrativa é contada sem palavras!” – profunda, mas a maior das verdades.

Uma nota ligeiramente à parte, mas que considero oportuno mencionar, é a existência de cada vez mais títulos, onde o protagonista é um louvável animal e de um modo geral, são títulos mais relaxantes e tranquilizadores, que fazem sucesso não através do uso da violência excessiva, como tantos outros. Stray, Untitled Goose Game, Lost Ember, são alguns benévolos exemplos dessa mesma situação.

“A narrativa é contada sem palavras!” – profunda, mas a maior das verdades.

JOGABILIDADE

Logo após uma sucinta cutscene introdutória, o jogador é convidado a personalizar o perspicaz animal. Não é o sistema mais completo que já experienciei, mas cumpre os seus propósitos com firmeza, permitindo mudar diversos aspetos da raposa, como por exemplo, a forma do corpo, do rosto, da cauda e até mesmo o pelo.

Não podendo comparar com o título anterior, pelos motivos mencionados mais acima, mas pelo que conseguiu apurar na leitura de outros artigos, a equipa de desenvolvimento optou por criar do zero o sistema de movimentação da raposa, ao invés de melhorar aquilo que foi criado no título antecessor. Sinceramente, considero que a jogabilidade é assertiva e os movimentos da raposa bastante fluídos e verdadeiros. Casos como simplesmente agachar-se para andar sorrateiramente e/ou passar em locais estreitos, ou até mesmo aqueles pequenos e típicos saltos de um felino, são alguns movimentos realizados de uma forma graciosa, que dão mesmo uma sensação prazerosa.

Ao longo do caminho e sem grandes indicações do que temos que realizar, vamos descobrindo locais para explorar, novos movimentos específicos, objetivos para cumprir de modo a abrir novos caminhos, tudo de uma forma bastante relaxante e tranquilizante. Basicamente, são pequenos quebra-cabeças para resolver e puzzles nada intricados, onde a violência não tem lugar. Muita atenção às gravuras e outros objetos do ambiente, que normalmente funcionam como pistas visuais para a resolução dos enigmas e consequente avançar na aventura.

Tal como mencionados várias vezes, em Spirit of the North 2 não existe combate e algo que podemos considerar como o mais próximo de um confronto com os bosses são os puzzles mais complexos, onde existe a necessidade de ativar certos mecanismos mais recônditos e em maior número. Ainda assim, ao longo da demanda, vamos descobrindo várias runas, que potenciam as capacidades da raposa, dotando-a de habilidades especificas e extremamente úteis para a nossa jornada. Quando ativamos uma runa, a cauda da raposa fica pintada (uma espécie de tatuagem) com uns símbolos que emanam o poder espiritual. Nalguns casos, podemos obter o auxílio de um corvo, que nos transporta para distâncias curtas e de acesso mais espinhoso.

De salientar que Spirit of the North 2 não é um título para aqueles jogadores que buscam uma ação desenfreada e interações constantes! Este jogo privilegia a exploração livre, com uma enorme liberdade de movimentos num mundo aberto.

...podemos obter o auxílio de um corvo, que nos transporta para distâncias curtas e de acesso mais espinhoso.

LONGEVIDADE

Spirit of the North 2 não é um daqueles títulos longuíssimos, onde o jogador necessita de despender imensas horas para concluir a história principal e as missões secundárias, que muitas ocasiões só existem para aumentar a longevidade do jogo, sem contribuírem decisivamente para aperfeiçoar a experiência.

Todavia, devido a ausência de indicações diretas do que fazer, pode “obrigar” o jogador menos ávido a gastar mais horas para o terminar, porque a exploração nua e crua é o predicado principal da aventura. No entanto, existem alguns itens que o jogador precisa de ter a atenção, se o objetivo for encontrar tudo aquilo que o título proporciona, como os pergaminhos que contam a história das diferentes tribos que outrora prosperaram, relíquias e mistérios de uma civilização caída e até os diversos templos.

Por isso, uma primeira conclusão da história principal, poderá não ser suficiente, contudo, voltar a repetir a experiência de Spirit of the North 2, ao contrário de muitos outros títulos, é reconfortante, relaxante e tranquilizante, transmitindo sensações de calmaria e serenidade. No fundo, voltar a ser uma raposa e divertirmo-nos como tal!

...como os pergaminhos que contam a história das diferentes tribos que outrora prosperaram, relíquias e mistérios de uma civilização caída e até os diversos templos.

GRAFISMO E SONOPLASTIA

A nível gráfico, Spirit of the North 2 brilha intensamente, muito por culpa das paisagens de cortar a respiração. Os biomas são diversos e abrilhantam superlativamente a aventura. Se num momento estamos no meio de uma floresta verdejante, repleta de arvoredo e plantas, pouco tempo depois podemos experienciar outro bioma completamente díspar, como as gélidas e inertes montanhas cobertas de neve gelada. Isto só para dar alguns exemplos, porque ao longo da jornada passaremos por mais locais!

A banda sonora é outro aspeto que contribui decisivamente para que Spirit of the North 2 seja uma experiência relaxante e tranquilizante. A simplicidade de som e a tranquilidade que emana é qualquer coisa de assinalar, contudo existem mudanças de ritmo, tornando-a ligeiramente mais intensa em determinadas ocasiões, mas nada que nos perturbe a quietude.

Os biomas são diversos e abrilhantam superlativamente a aventura.

CONCLUSÃO

Resumindo, Spirit of the North 2 atinge o seu apogeu nas fantásticas paisagens e diferentes biomas, acompanhado de uma banda sonora que emana tranquilidade e calmaria. A liberdade de exploração de um mundo aberto é outro aspeto a assinalar. Puzzles descomplexados e ausência de combate, podem afastar os jogadores que procuram ação intensa e desenfreada.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas


 
 

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