JOGOS: The Day I Became A Bird | Análise

30.4.26

The Day I Became A Bird foi o mais recente título que nos chegou à redação. Um título como um nome bastante curioso e com uma proposta fora do habitual para o universo atual dos videojogos.

A versão que serviu para este artigo de opinião foi a de Nintendo Switch 2 (com compatibilidade direta face à versão original da Switch), mas o jogo encontra-se também disponível para as plataformas PlayStation 5 e PC.

INTRODUÇÃO

Num mercado frequentemente dominado por experiências de elevada intensidade e complexidade, The Day I Became A Bird opta por um caminho oposto: a contemplação, a simplicidade e a introspeção emocional. Essa escolha define não apenas o seu posicionamento, mas também os seus méritos e limitações.

Desenvolvido pela Hyper Luminal Games e publicado pela Numskull Games, o título é, efetivamente, uma proposta singular no panorama contemporâneo dos videojogos, uma vez que se trata de uma experiência narrativa delicada, inspirada na literatura infantil e centrada nas emoções primárias da infância.

NARRATIVA

A narrativa constitui o eixo central da obra. Acompanhamos Frank, um rapaz tímido que tenta conquistar a atenção de Sylvia, uma colega de escola, fascinada por pássaros. E essa é a base da história e que dá origem ao plano bastante invulgar de Frank, que o jogador irá descobri assim que começar a emotiva aventura.

O argumento desenvolve-se como um “conto jogável”, evocando memórias universais da infância, como a timidez, o primeiro amor e a necessidade de reconhecimento. A escrita é deliberadamente simples, mas eficaz, privilegiando a empatia em detrimento da complexidade dramática.

O jogo evita o melodrama e aposta antes numa tonalidade doce e nostálgica. Esta abordagem resulta numa experiência emocionalmente acessível, ainda que, por vezes, excessivamente linear e previsível. A ausência de ramificações narrativas limita a profundidade interpretativa, mas reforça a coesão temática.

Acompanhamos Frank, um rapaz tímido que tenta conquistar a atenção de Sylvia...

JOGABILIDADE

A jogabilidade é minimalista e funcional. O jogador apenas explora pequenos cenários, interage com personagens e resolve puzzles simples que servem essencialmente como uma espécie de veículo narrativo. Não existe grande exigência técnica ou mecânica. As ações resumem-se à deslocação, recolha de objetos e pequenas interações contextuais. Esta simplicidade torna o jogo acessível a públicos mais jovens ou casuais, mas poderá frustrar jogadores experientes, habituados a sistemas mais profundos.

No decorrer da aventura, passei por alguns problemas, nada de muito alarmante, como dificuldades na perceção de objetos interativos ou questões a nível de design tridimensional. Ainda assim, importa reconhecer que o jogo nunca pretende ser especialmente desafiador, apostando tudo no plano emocional.

O jogador apenas explora pequenos cenários, interage com personagens e resolve puzzles simples...

LONGEVIDADE

The Day I Became A Bird não é, absolutamente, um jogo longo, uma vez que uma ou duas horas (no máximo) são suficientes para concluirmos a trama. Trata-se de uma experiência curta, frequentemente concluída numa única sessão. E é, seguramente, um dos seus pontos mais frágeis.

A ausência de conteúdo adicional significativo ou incentivos à rejogabilidade, reduz drasticamente a longevidade. Uma forma de contornar esse cenário, seria a inclusão de, por exemplo, de múltiplos finais, que “obrigariam” o jogador a voltar a explorar o título do início ao fim, todavia, a equipa de desenvolvimento, optou por não incluir.

Ainda assim, esta brevidade pode ser interpretada como uma escolha consciente, traduzindo-se numa narrativa condensada, sem redundâncias, que respeita o tempo do jogador e preserva a intensidade emocional.

Trata-se de uma experiência curta, frequentemente concluída numa única sessão.

GRAFISMO E SONOPLASTIA

O grafismo assume um estilo ilustrativo e artesanal, diretamente inspirado no livro que deu origem ao jogo. Os cenários apresentam uma estética agradável, com cores suaves e quentes, traços simples, fazendo claramente lembrar livros infantis. Esta direção de arte reforça a identidade do título e contribui decisivamente para a sua atmosfera acolhedora.

A banda sonora acompanha a filosofia do jogo, sendo discreta, emotiva e funcional, privilegiando melodias suaves, quase etéreas, que sublinham os momentos mais íntimos da narrativa. Os efeitos sonoros são minimalistas, contribuindo para uma sensação de leveza e contemplação, funcionando como um complemento eficaz à experiência sensorial.

O grafismo assume um estilo ilustrativo e artesanal, diretamente inspirado no livro que deu origem ao jogo.

CONCLUSÃO

The Day I Became A Bird é, essencialmente, uma experiência interativa de cariz emocional, onde a sua maior virtude reside na capacidade de capturar a essência da infância com autenticidade e delicadeza. Todavia, essa mesma abordagem implica a perda de alguns elementos importantes para o universo dos videojogos, como a falta de profundidade, longevidade e escassa complexidade estrutural, tratando-se de um jogo demasiado linear e previsível

Não é um título para todos, mas, para o público certo, poderá revelar-se surpreendentemente tocante.

Em suma, The Day I Became A Bird é um jogo intimista que brilha pela sensibilidade e não por ser desafiante. Uma experiência curta, simples e visualmente adorável, contudo limitada em profundidade e longevidade.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas


 
 

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