JOGOS: God of War Sons of Sparta | Análise

25.2.26

Recentemente tivemos acesso a um inesperado título, God of War Sons of Sparta, que representa um dos movimentos mais audaciosos da saga God of War até hoje, isto porque, ao contrário dos épicos de ação em 3D que redefiniram a franquia, este título assume uma estética e género radicalmente diferentes, passando a ser um Metroidvania em 2D.

INTRODUÇÃO

Desenvolvido através de uma parceria entre a Mega Cat Studios e a Santa Monica Studio, sendo publicado mundialmente pela própria Sony Interactive Entertainment, Sons of Sparta é o 10.º jogo da série e, cronologicamente, o primeiro, situando-se como o início da história de Kratos enquanto jovem guerreiro espartano, em plena fase de treino, na companhia do seu irmão Deimos, muito antes de abraçar o fatídico destino, que o tornaria num deus e protagonista emblemático da idolatrada franquia. Esta nova abordagem oferece uma perspetiva mais íntima, juvenil e formativa do icónico protagonista.

God of War Sons of Sparta está disponível em exclusivo na PlayStation 5 desde o dia 12 de fevereiro.

NARRATIVA

A trama presente em Sons of Sparta relata principalmente a origem e formação de Kratos, um período de treino rigoroso, moldado por disciplina, sofrimento e camaradagem. A história ocorre durante os anos de aprendizagem de Kratos e Deimos no rigoroso Agoge espartano. Subitamente e de uma forma extremamente misteriosa, um companheiro de treino desaparece. A partir desse momento, os irmãos unem esforços para o encontrar, o que transforma a trama numa impressionante epopeia, alicerçada em pilares como dever, honra e fraternidade, tudo valores centrais da identidade espartana.

Um detalhe particularmente interessante, é a forma como toda a aventura é narrada ao jogador. Kratos adulto relata os acontecimentos à filha Calliope, tal e qual como se estivesse a contar uma história, o que adiciona sensibilidade e melancolia à narrativa, reforçando o tema da herança e da memória pessoal. Nota para o bom trabalho de Ricardo Carriço que, mais uma vez, empresta a voz a Kratos (versão adulto e igualmente narrador) acrescentando traços fidelização e coerência, uma vez que o ator já participou noutros títulos da franquia.

Por outro lado, esta inovadora proposta, louvável em intenção uma vez que proporciona uma profundidade emocional e contexto histórico ao protagonista que milhares de jogadores já conhecem, apesar de bem-intencionada, a narrativa, por vezes, perde-se em diálogos constantes e até excessivos, diminuindo o ritmo da aventura. Em comparação com as narrativas cinematográficas e emocionalmente ricas dos jogos anteriores, Sons of Sparta assume um formato bem mais simplista e sucinto, o que pode dececionar alguns jogadores, sobretudo aqueles que estejam a contar uma profundidade dramática equivalente.

Ainda assim, é um novo capítulo que enriquece a mitologia de Kratos sem reescrever o que já conhecemos.

A trama presente em Sons of Sparta relata principalmente a origem e formação de Kratos, um período de treino rigoroso, moldado por disciplina, sofrimento e camaradagem.

JOGABILIDADE

A jogabilidade é talvez o ponto mais sensível (e de discórdia) deste novo título na saga God of War. Pela primeira vez em toda a série, numa coletânea que já vai em 10 títulos, a equipa de desenvolvimento optou por cortar totalmente com o passado e apresentou uma estrutura completamente díspar. God of War Sons of Sparta é nada mais do que um Metroidvania de ação em 2D, bem ao estilo retro, que combina momentos de plataformas, exploração e combate, interligados por um sistema de mapas, que recorda títulos de lançados num passado longínquo.

Ao invés dos outros jogos da franquia, Sons of Sparta, apresenta, obviamente, as mecânicas bem tradicionais dos Metroidvania, abandonando aquela ação mais visceral e gore, mais impactante e veemente, algo sempre muito presente e característico em todos os títulos com a chancela God of War. Mas atenção, o combate e as lutas desiguais, estão presentes, mas de uma forma completamente antagónica. A principal arma de Kratos é a lança espartana, apelidada carinhosamente de Dory e o inabalável escudo Aspis. Ao longo da demanda, essas duas armas, podem (e devem) ser potenciadas com artefactos míticos que concedem habilidades especiais, atenuando a nossa complexa tarefa de enfrentar inúmeros incautos. As famosas Lâminas do Caos, infelizmente (ainda) não estão presentes, o que é redutor e lamentável.

Os níveis são variados e diversificados quanto baste, repletos de inimigos, obviamente, inspirados na mitologia grega, apresentando desafios e quebra-cabeças tradicionais neste tipo de jogos. Os bosses proporcionam desafios interessantes, alguns de larga escala que transmitem a sensação épica típica da série, mesmo que num formato bidimensional.

Tal como referido um pouco acima, a jogabilidade é realmente controversa. Se por um lado, os fãs mais acérrimos da franquia podem ficar desapontados por ser um título que não acompanha o estilo das aventuras anteriores, que privilegiavam uma experiência mais intensa, dinâmica e traços inovadores. Por outro lado, este género diferente do habitual na franquia GOW pode atrair os entusiastas de Metroidvanias e fãs de retrogaming, aumentando a legião de jogadores, que já por si só, é enorme.

Outro ponto de contestação, na minha opinião, envolve a cooperação ou modo cooperativo anunciado pela própria equipa de produção. Isto porque realmente existe um modo cooperativo, contudo, na prática este só é desbloqueado após uma primeira conclusão da campanha principal, o que é frustrante para aqueles jogadores que pretendiam experienciar a aventura outros jogadores em simultâneo.

Ao invés dos outros jogos da franquia, Sons of Sparta, apresenta, obviamente, as mecânicas bem tradicionais dos Metroidvania...

LONGEVIDADE

Sons of Sparta não é propriamente um jogo longo, aliás a campanha principal é relativamente curta e concisa, contudo o título possui muito conteúdo extra e opcional, especialmente direcionado para aqueles jogadores que gostam de concluir o jogo a 100%. Ainda assim, aproximadamente 40 horas são mais do que suficientes para ter a experiência completa, mesmo para jogadores menos experientes com este tipo de títulos.

Por outro lado, o modo cooperativo ou desafio, desbloqueado logo após a conclusão da campanha principal, aumenta ligeiramente a longevidade. Mas atenção, ao contrário do que muitos possam imaginar, God of War Sons of Sparta não permite jogar a campanha inteira em modo cooperativo, local ou online. A aventura principal é totalmente single-player, seguindo a tradição da franquia.

Esse modo é chamado de Pit of Agonies (Fosso das Agonias) e apresenta uma jogabilidade do estilo roguelite, que pode ser jogado sozinho ou cooperativamente com outro jogador através do multijogador local, mas é basicamente um modo de desafios separado da história principal, onde os jogadores são postos à prova através de combates mais difíceis, hordas de inimigos, desafios específicos de sobrevivência e batalhas que exigem coordenação entre Kratos e Deimos. No fundo é uma experiência focada em combate intenso, ideal para quem quer testar as suas capacidades e habilidades. Apesar de aumentar levemente a longevidade, dependendo sempre do interesse individual neste tipo de desafios.

Sons of Sparta não é propriamente um jogo longo, aliás a campanha principal é relativamente curta e concisa, contudo o título possui muito conteúdo extra...

GRAFISMO E SONOPLASTIA

Por razões mais do que óbvias, não podemos tecer comparações com os títulos antecessores da saga. A equipa de desenvolvimento, mudou radicalmente o estilo, pelo que esse exercício comparativo é totalmente impossível.

Sons of Sparta apresenta um estilo gráfico vibrante de pixel-art, com excelente definição e conta animações de grande qualidade que despertam sentimentos bem nostálgicos, sobretudo nos jogadores mais veteranos. Artisticamente, os cenários são ricos em detalhes, especialmente no design de ambientes de Laconia, desde montes áridos a templos ancestrais, sempre com elementos da mitologia grega presentes, transmitindo um ambiente simultaneamente mítico e melancólico.

A nível sonoro, Sons of Sparta, presenteia o jogador com combinações musicais de grande gabarito e muito se deve à participação do compositor Bear McCreary, conhecido pelos seus trabalhos nas séries televisivas Outlander e The Walking Dead, mas também porque compôs a banda sonora nos God of War anteriores. De salientar, mais uma vez, a participação de Ricardo Carriço, retomando o papel que interpretou em títulos anteriores, acrescentando profundidade emocional às cenas e dando sequência ao bom trabalho realizado nos outros jogos.

Artisticamente, os cenários são ricos em detalhes, especialmente no design de ambientes de Laconia, desde montes áridos a templos ancestrais...

CONCLUSÃO

God of War Sons of Sparta é uma experiência totalmente diferente daquilo nos foi proporcionado no passado, mas simultaneamente algo ousado e corajoso, dentro de uma franquia de eleição. A decisão de romper com o grafismo do passado e adotar o formato pixel-art e estilo de jogo Metroidvania foi realmente arrojada porque o jogo não atinge os patamares de excelência dos títulos da série, mas por outro lado abre novos horizontes, granjeando utilizadores admiradores deste estilo retro e proporcionando aos fãs mais acérrimos de God of War uma diferente experiência de jogo.

Se nos conseguirmos abstrair da mudança radical na jogabilidade, o título pode ser encarado como uma espécie de carta de amor às origens de Kratos, sem perder a profundidade emocional e a intensidade que caracterizam a franquia. Refrescante, surpreendente e competente, capaz de cativar tanto aqueles que cresceram com o Fantasma de Esparta como novos jogadores curiosos por descobrir o início desta lendária jornada.

Em suma, Sons of Sparta é um jogo polarizador que divide opiniões, afigurando-se como um título que pode ser divertido para quem aprecia o estilo retro e essencialmente Metroidvanias, mas algo desapontante para puristas da série, fiéis à forma de sucesso do passado.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas


 
 

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