JOGOS: Yoshi and the Mysterious Book | Análise

3.6.26

Recentemente tivemos acesso a mais um título, desta vez um exclusivo para a Nintendo Switch 2, o adorável Yoshi and the Mysterious Book, que não é apenas mais um jogo de plataformas com a personagem Yoshi, mas sim uma tentativa deliberada de redefinir aquilo que uma aventura protagonizada pela personagem pode ser.

INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimas longos anos, a série Yoshi construiu uma identidade própria e bem particular, dentro do universo Nintendo. Enquanto Mario sempre se destacou pela sua jogabilidade e pela constante reinvenção das suas mecânicas, Yoshi sempre proporcionou experiências mais acessíveis, práticas e criativas. Isso pode ser bem atestado em títulos como Yoshi’s Island ou Yoshi’s Crafted World, onde a personagem evoluiu sem nunca abandonar a sua essência e o charme bem característico.

Através de Yoshi and the Mysterious Book, a Nintendo optou por uma abordagem mais ousada do que habitual, se compararmos com os jogos antecessores. Desta vez, o objetivo passou por substituir a tradicional progressão baseada em plataformas por uma aventura centrada na exploração, observação e descoberta. Em vez de incentivar o jogador a correr desenfreadamente até ao final de cada nível, o jogo “convida-o” a investigar ecossistemas vivos, compreender criaturas peculiares e desvendar os segredos escondidos nas páginas de um misterioso livro falante apelidado de Mr. E.

O resultado é uma experiência interessante, curiosa e singular, que se afasta ligeiramente daquilo que foi desenvolvido no passado, para abraçar uma filosofia mais próxima da curiosidade e de uma experimentação constante.

NARRATIVA

A narrativa de Yoshi and the Mysterious Book apresenta uma premissa simples, mas eficaz, aliás, situação bastante amiúde neste género de títulos. Tudo começa quando Bowser Jr. descobre um misterioso livro que contém referências a uma criatura lendária. Pouco tempo depois, esse mesmo livro, conhecido como Mr. E, acaba por surgir na ilha dos Yoshis, algo desorientado pois tinha perdido as suas memórias. A missão do protagonista passa então por ajudar o peculiar companheiro a recordar as inúmeras criaturas que habitam as suas páginas.

À primeira vista, a história pode parecer excessivamente modesta, contudo, essa simplicidade funciona de uma forma favorável para o jogo. Neste tipo de jogos a narrativa não pretende ser épica nem dramática, sendo o seu verdadeiro propósito servir como uma espécie de catalisador para o verdadeiro objetivo, a exploração. Cada capítulo representa uma oportunidade para conhecer novas espécies, descobrir comportamentos inesperados e aprofundar o conhecimento sobre aquele universo.

O destaque vai para Mr. E, uma personagem surpreendentemente carismática e cativante. O conceito de uma enciclopédia viva, que perdeu as suas próprias memórias, cria uma ligação instantânea entre jogador e narrativa. Para além dos simpáticos Yoshis, a presença de intervenientes famosos como Bowser Jr. e Kamek, também coadjuvam a construir um mundo genuinamente encantador, baseado, obviamente, no universo de Mario.

Pouco tempo depois, esse mesmo livro, conhecido como Mr. E, acaba por surgir na ilha dos Yoshis...

JOGABILIDADE

A jogabilidade de Yoshi and the Mysterious Book é, efetivamente, a sua maior identidade. As mecânicas clássicas da série permanecem praticamente intactas, apesar de modernizadas. Yoshi continua a poder utilizar a sua língua para engolir criaturas, transformar inimigos em ovos, realizar o característico Flutter Jump, executar Ground Pounds e utilizar o lançamento de ovos para interagir com o cenário. De novidade, a habilidade Tail Flick, que permite transportar e manipular determinadas criaturas de formas completamente inéditas.

Todavia, a grande inovação reside na forma como estas mecânicas são utilizadas. Em vez de derrotar inimigos ou ultrapassar obstáculos lineares, o jogador é constantemente incentivado a experimentar outras soluções e tentar formas criativas de superar as contrariedades. O jogo recompensa, constantemente, a curiosidade.

Cada criatura possui características próprias, reações específicas e interações únicas com o ambiente. O simples ato de lançar uma criatura contra outra, alimentar um determinado animal ou observar um comportamento específico pode desbloquear uma nova descoberta. Este sistema transforma a exploração numa espécie de investigação interativa, onde a observação se torna tão importante quanto a destreza manual. Inclusive, a estrutura aberta dos níveis favorece esta filosofia. Os cenários funcionam como pequenos laboratórios de testes, incentivando o jogador a regressar repetidamente para descobrir segredos anteriormente ignorados ou por descobrir.

Ainda assim, existem algumas incoerências. Certas mecânicas, mesmo que interessantes, acabam por ser exploradas durante pouco tempo, revelando uma falta de aprofundamento em conceitos que mereciam maior desenvolvimento. A variedade de opções chega a impressionar, mas ocasionalmente ficamos com a sensação de que determinadas mecânicas desaparecem ou não são devidamente usadas, mesmo antes de revelarem todo o seu potencial.

A jogabilidade de Yoshi and the Mysterious Book é, efetivamente, a sua maior identidade.

LONGEVIDADE

A longevidade é um dos aspetos mais interessantes da experiência. Apesar de ser possível terminar a campanha principal sem grandes dificuldades e até em pouco tempo, o verdadeiro conteúdo encontra-se na procura por todas as criaturas, segredos e objetivos opcionais espalhados pelos diferentes capítulos.

O sistema de catalogação das criaturas funciona quase como uma enciclopédia interativa, sendo divertido e atrativo. Cada nova descoberta contribui para expandir o conhecimento do jogador e desbloquear conteúdos adicionais. O simples facto de ser possível atribuir nomes às criaturas encontradas cria uma ligação inesperadamente pessoal ao progresso.

Por outro lado, a ausência de limites de tempo ou punições excessivas, permite uma exploração descontraída e relaxante, tornando o jogo acessível a públicos muito distintos. Ao mesmo tempo, os jogadores mais dedicados encontrarão desafios significativos (nada de muito complexo) na tentativa de terminar a experiência a 100% e descobrir todos os segredos escondidos nas páginas de Mr. E.

O sistema de catalogação das criaturas funciona quase como uma enciclopédia interativa, sendo divertido e atrativo.

GRAFISMO E SONOPLASTIA

Visualmente, Yoshi and the Mysterious Book é um marco artístico. A Nintendo continua a demonstrar uma impressionante capacidade para reinventar a identidade visual da série. Depois dos fios de lã de Yoshi's Woolly World e dos cenários artesanais de Crafted World, surge agora uma estética inspirada em livros ilustrados, animação stop-motion e dioramas pintados à mão.

As cores vibrantes, as animações expressivas e a riqueza dos detalhes criam uma sensação constante de brilhantismo. Os ambientes parecem literalmente ganhar vida à medida que o jogador interage com as suas criaturas e elementos decorativos. O design das criaturas merece igualmente destaque, uma vez que cada espécie possui características únicas que reforçam a componente de descoberta e observação, contribuindo para que o mundo pareça genuinamente vivo. As texturas apresentam maior definição, as animações decorrem com fluidez exemplar e os cenários exibem uma profundidade visual impressionante.

Isto tudo só é possível, porque as características específicas da consola permitem elevar significativamente a qualidade técnica, resultando num dos jogos visualmente mais encantadores do curto catálogo inicial da Nintendo Switch 2.

Tal como seria esperado, a componente sonora complementa na perfeição a atmosfera criada pela direção de arte. As melodias acompanham a exploração sem nunca se tornarem intrusivas, reforçando a sensação de uma aventura descontraída, adotando tons leves, acolhedores e constantemente otimistas. Os efeitos sonoros também contribuem para a acrescentar dimensão à experiência, uma vez que cada salto, cada lançamento de ovo, cada reação das criaturas e cada descoberta produzem sons cuidadosamente trabalhados.

Por fim, o trabalho de voz também merece uma referência. Apesar de a maioria das personagens mantenham a comunicação característica da Nintendo, ou seja, através de vocalizações simples e expressivas, Mr. E destaca-se pela sua presença constante e pela forte personalidade transmitida através da sua incrível interpretação.

A Nintendo continua a demonstrar uma impressionante capacidade para reinventar a identidade visual da série.

CONCLUSÃO

Yoshi and the Mysterious Book é, sem dúvidas, uma das propostas mais criativas da Nintendo nos últimos anos. Em vez de seguir o caminho mais seguro, a empresa decidiu transformar um tradicional jogo de plataformas numa aventura centrada na observação, exploração e descoberta.

Nem todas as ideias e mecânicas são exploradas com a profundidade desejável, e ainda que alguns elementos narrativos poderiam beneficiar de um maior desenvolvimento, a originalidade da proposta, a excelência artística e a forma como recompensa a exploração, fazem com que essas limitações se tornem relativamente fáceis de esquecer.

Para os fãs de Yoshi, trata-se de uma evolução natural da saga. Para os restantes jogadores, é uma das experiências mais singulares disponíveis na Nintendo Switch 2 e uma demonstração clara da capacidade da Nintendo para continuar a surpreender, mesmo após décadas de inovação.

Yoshi and the Mysterious Book é, sem dúvidas, uma das propostas mais criativas da Nintendo nos últimos anos.

Resumindo, Yoshi and the Mysterious Book abandona a fórmula tradicional da série para apostar numa aventura centrada na exploração, observação e descoberta. Com um grafismo deslumbrante, uma jogabilidade criativa e uma atmosfera encantadora, destaca-se como uma das experiências mais originais da Nintendo Switch 2.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas


 
 

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