De volta aos filmes e desta vez a escolha recaiu em Predador: Badlands, um filme de ficção científica baseado num universo bem conhecido pelos amantes desse género.
INTRODUÇÃO
O cinema de ficção científica atual vive, em grande parte, de revisitações a universos já consagrados. Nesse contexto, Predador: Badlands, realizado por Dan Trachtenberg (O Predador: Primeira Presa ou 10 Cloverfield Lane), surge como uma proposta simultaneamente arriscada e renovadora dentro de uma das franquias bastante icónica do género.
Após o relativo sucesso de O Predador: Primeira Presa (2022), Dan Trachtenberg volta a assumir a responsabilidade de reinventar o mito do Predador, desta vez não apenas atualizando-o, mas subvertendo-o de forma estrutural.
Ao contrário dos filmes anteriores, que tradicionalmente colocavam humanos no centro da narrativa, Predador: Badlands optou por um ponto de vista radicalmente diferente, ou seja, o do próprio Yautja (Predador). Esta inversão conceptual não só redefine a narrativa, como também amplia o universo, explorando dimensões até então apenas sugeridas.
RESUMO
A narrativa ocorre num futuro distante, num planeta remoto e hostil, onde acompanhamos Dek, um jovem Predador exilado do seu clã por não ter as mesmas capacidades físicas que outros membros. Considerado um pária, Dek embarca numa complexa jornada em busca de um adversário digno, numa tentativa de afirmar o seu valor e identidade, perante o seu povo.
Durante essa expedição, Dek estabelece uma aliança improvável com Thia, uma androide interpretada por Elle Fanning (Valor Sentimental ou A Complete UnKnown). Juntos, enfrentam criaturas e desafios que transcendem a lógica habitual da saga, num percurso que combina sobrevivência, descoberta pessoal e redefinição de códigos culturais.
Realizado por Dan Trachtenberg, Predador: Badlands conta ainda com a participação de atores como Dimitrius Schuster-Koloamatangi (Red, White and Brass), Ravi Narayan (Sweet Tooth), entre outros.

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OPINIÃO
Em primeiro lugar, importa salientar que o filme rompe com uma das convenções mais antigas da franquia, a ausência total de personagens humanas. Em vez disso, o foco recai sobre Predadores, sintéticos e outras entidades alienígenas, aprofundando o lore da espécie Yautja e deslocando o conflito para um plano mais interno e identitário.
Na minha opinião, uma das maiores virtudes de Predator: Badlands reside na coragem de transformar o tradicional antagonista em protagonista. Deste modo, o realizador, desafia não apenas as expectativas do público, mas também os fundamentos da própria saga, uma vez que esta escolha aproxima o filme de uma narrativa de anti-herói, onde o espectador é convidado a criar empatia com uma figura que outrora era puramente monstruosa.
Esta humanização, ou mais corretamente, “alienização empática”, funciona surpreendentemente bem. Dek não é apenas um caçador, é um ser em estado de ansiedade, em busca de reconhecimento. Esta dimensão emocional acrescenta densidade a um universo frequentemente reduzido à ação e violência.
O planeta Genna surge como um espaço simultaneamente belo e ameaçador, reforçando sensações de isolamento e perigo constante. A ausência de humanos permite uma maior liberdade criativa na construção de ecossistemas e culturas alienígenas, contribuindo para uma experiência mais imersiva. Contudo, esta mesma escolha poderá alienar parte do público mais tradicional, habituado a um ponto de identificação humano.
Pessoalmente, gostei do resultado final, apesar de perceber que o intento do realizador é suavizar a violência gráfica que caracterizava os títulos anteriores e que era uma imagem de marca da franquia. Por outro lado, esta decisão torna o filme mais acessível, traduzindo-se numa perda de intensidade e, talvez, identidade. Pode ser paradoxal, mas é verdadeiramente assim.
Contudo, o trabalho de Trachtenberg tem que ser louvado, uma vez que em vez de repetir fórmulas do passado, prefere seguir em direção a uma expansão temática, aprofundando temas como identidade, exclusão, pertença e até compaixão. E isso já foi sentido, em parte, no O Predador: Primeira Presa (2022).
Predator: Badlands é, acima de tudo, um exercício de reinvenção. Ao deslocar o foco narrativo, ao aprofundar o universo ficcional e ao “humanizar” o seu protagonista, o filme redefine o que pode ser uma história dentro desta franquia. Não se limita apenas a revitalizar a saga, como demonstra que mesmo os monstros mais icónicos podem ser reinterpretados à luz de novas sensibilidades narrativas.
CONCLUSÃO
Em suma, Predator: Badlands reinventa a franquia ao colocar o Predador como protagonista e explorar o seu universo de forma inédita. A obra destaca-se pela ousadia narrativa e pela profundidade temática, ainda que sacrifique parte da intensidade visceral. No geral, é um passo corajoso que redefine o futuro da saga sem a descaracterizar por completo.


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